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LUTO NACIONAL

By 21/10/2019 No Comments

INCÊNCIO DESTRÓI O MUSEU NACIONAL

No fatídico dia 3 de setembro (2018) enquanto eu estava com minha atenção focada na preparação da obra Calçada Portuguesa no Brasil e no Mundo, chegou-me aos ouvidos a trágica noticia de que o Museu Nacional no Rio de Janeiro ardia em chamas. Estremeci. Corri à televisão, consternado como todo Brasil e como toda humanidade esclarecida; como todas as pessoas que zelam por tudo que é capaz de trazer mais saber, ciência e bem-estar a nossa civilização.

As chamas do fogo voraz já iam auto, consumindo o mais antigo e um dos melhores museus do Brasil e do mundo, eregido na Quinta da Bela Vista, pelo Senhor Dom João VI, glorioso rei do Portugal e do Brasil.

O prédio ainda tem a glória inédita de ter sido a sede da corte da única Monarquia das Américas; uma monarquia de gente sábia que consolidou o país.

Pelo Brasil e pelo Mundo muita gente chorou a perda irreparável. Mais um pedaço do Brasil e da cultura mundial ardia em chamas criminosas.

O Brasil chorou mais esta grande perda, quase irreparável que envolvia também grande perda moral!

Muito do rico material que lá estava exposto, foi adquirido por D. João VI, por D. Pedro I, por D. Pedro II, o sábio, pela rainha, Dona Leopoldina, e por muitos outros amantes do país e das ciências, através de 200 anos. Lá morou a Rainha, Dona Maria I, uma rainha sábia e extraordinária, que enlouqueceu, ao sofrer a tragédia da morte de seu primogênito e de outros filhos amados.

O grande museu armazenava ou tinha expostos mais de vinte milhões de peças trazidas de diversas nações do mundo.

Foi uma perda irreparável, para a nossa história, para as ciências e para o civismo.

Uma imensa perda para a humanidade. Algo comparável ao incêndio da biblioteca de Alexandria e também do saque do Museu do Iraque, após a queda de Saddan Hussein. Esta tragédia deixou o mundo mais pobre.

Ardeu parte da identidade nacional e uma parte Monumental da História de Brasil.

Muita gente chorou inconsolada, tomada por profunda tristeza e mágoa.

Portugal também chorou, pois este era um dos fortes laços que uniu eternamente os dois povos: os laços do saber, da cultura e da sabedoria…

Os inimigos da lusofonia e do Brasil, “estrangeiros”, por condição e por opção, certamente festejaram a tragédia, com oculto sarcasmo e torpe sadismo.

Os responsáveis por esta tragédia, cometeram crime inafiançável; crime de lesa pátria; crime imperdoável, pelo qual precisam responder diante do país e da humanidade, diante do tribunal da humana dignidade, no tribunal da história.

Este desastre foi causado pela imensa penúria e de verbas destinadas à sua conservação, e de falta de vergonha pelos desperdícios com gastos inúteis.

A roubalheira que transformou o Rio de Janeiro em cidade sitiada, levou este incrível monumento cultural à condição do descaso dos poderes públicos.

O ouro do saber foi jogado como pérolas, aos porcos.

Enfim, um país que não sabe cuidar de sua memória e de sua história, tem pernas curtas e ideias também…É vítima da insensatez de poucos e aos poucos vai se apagando e desmoronando num voraz apagão de ideias e de ideais.

É preciso que saibamos gritar bem alto, até o país acordar e aprender a cuidar de seu patrimônio histórico, cultural e humano.

Um país rico, como o Brasil, não pode admitir, impune, tragédias tão danosas, causadas por desvios imperdoáveis.

Anteriormente, o Brasil já chorou grandes perdas culturais, em incêndios criminosos irreparáveis:

– O incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1978; o incêndio do Instituto Butantã, em 2010; o incêndio do Museu da Língua Portuguesa, em 2015; o Memorial da América Latina, em 2013; o Liceu de Artes e Ofícios, em 2014.

As pessoas não podem ficar indiferentes a tão trágicas tragédias culturais e humanas.

O descaso do país por seus grandes monumentos culturais, precisa acabar. Não pode ir mais longe pois já foi longe demais.

O país precisa despertar, para o que é essencial; para as forças matriciais das pessoas e da prosperidade: do desenvolvimento humano e social.

O país que não preserva a sua história, os seus ícones culturais, está fadado ao fracasso de seu povo, a um futuro vacilante e trôpego.

Vamos aprender, também, com as tragédias; vamos cuidar de nosso país gigante, em tamanho; façamo-lo um gigante da cultura; um gigante da ética e da moral; da dignidade humana!

Vamos cuidar de nossa cultura; vamos fortalecer a nossa identidade de povo forte e cordial.

Vamos chorar e reagir à indignidade dos que comprometem a moral do Brasil!

Vamos levantar a cabeça e não deixar que tais desastres se repitam.

Vamos aprender a cuidar da cultura e da história de São Paulo e do Brasil.

Vamos cuidar mais da cultura, dos ideais e da saúde mental, física, e espiritual de nossa gente.

Vamos todos lutar, por um Brasil e um por um mundo melhor, mais equitativo e mais saudável para as pessoas de boa vontade.

Texto e fotos de José Jorge Peralta

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